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maio 02

Ressaca destrói parte do calçadão da Praia de Piratininga

Pamella Souza em 28/04/2016

Desmoronamento ocorreu durante a madrugada e todo o trecho atingido está interditado pela Defesa Civil

Parte da orla foi arrancada em 1996, deixando o calçadão quebrado Amarante Gomes / Arquivo

Pela quarta vez em 20 anos, parte do calçadão da Praia de Piratininga, na Região Oceânica de Niterói, foi destruída pela forte ressaca que atingiu o Rio de Janeiro. Segundo moradores da região, o desmoronamento ocorreu durante a madrugada desta quinta-feira (28). Todo o trecho atingido foi interditado pela Defesa Civil, assim como dois quiosques que correm risco de desabar. Em vários pontos da orla, o mar encobriu toda a faixa de areia. Mesmo reconhecendo a vulnerabilidade do atual muro de contenção, o vice-prefeito Axel Grael descartou a possibilidade de adiantar a obra de revitalização do calçadão, anunciada há uma semana, e que está prevista para começar em setembro. Até lá, os escombros e vestígios da destruição permanecerão no local.

Parte do muro, que era preenchido com areia para evitar novas destruições, foi arrancado e nesta quinta, após o ocorrido, ainda era possível ver placas de concreto debaixo de água. Moradores da região relataram ondas violentas na praia na noite de quarta-feira, por volta das 21h. Já na madrugada desta quinta-feira, por volta das 5h, uma forte ventania e estrondos de ondas quebrando no calçadão foram ouvidas por quem mora próximo ao local.

“Costuma ventar muito de madrugada, mas esta, especificamente, foi demais. As janelas chegavam a tremer de tanto vento que batia. Da minha casa conseguia ouvir os estrondos das ondas batendo. Graças a Deus isso aconteceu de madrugada. Se fosse pela manhã, poderia atingir alguém que estivesse caminhando”, comparou o motorista Djalma Júnior, de 41 anos, que mora em Piratininga.

Por conta do alto risco de desabamento, os quiosques 4 (Maçarico) e 5 (Santana) foram interditados pela Defesa Civil. De acordo com o subsecretário da Defesa Civil de Niterói, major Wallace Medeiros, os efeitos da ressaca já eram esperados, já que um alerta foi emitido essa semana. O órgão fez uma avaliação do local para identificar os possíveis pontos de risco e não descartou a possibilidade de novos desmoronamentos.

Em 2011 a cena voltou a se repetir na Praia de Piratininga Alcyr Ramos / Arquivo

A Defesa ainda informou que será feita uma vistoria permanente na praia e fez um apelo para que as pessoas não ultrapassem a área isolada, devido ao alto risco de desmoronamento, já que boa parte do calçadão apresenta rachaduras. O órgão ainda prometeu reforçar o isolamento nesta sexta.

O quiosque mais atingido foi o Maçarico, do comerciante Manoel Francisco da Silva, de 44 anos. A calçada em frente ao estabelecimento foi arrancada pelo mar. De acordo com o dono, que trabalha no local há 22 anos, lamentou o ocorrido e diz que, apesar do histórico de destruição por causa do mar, não esperava por uma tragédia como essa.

“O mar levou um pedaço de mim. Estou muito triste, pois isso aqui era a minha vida. Me dediquei muito ao meu trabalho. São 22 anos de história e não é fácil chegar aqui de uma hora para outra e ver tudo destruído. Ficamos de mãos atadas porque não temos controle sobre a natureza”, lamentou Manoel, que foi avisado por vizinhos sobre o que aconteceu. Em nota, a prefeitura de Niterói informou que os donos dos estabelecimentos devem procurar a Secretaria Municipal de Ordem Pública para solicitar uma autorização provisória de trabalho em outro local da orla.

Soluções – Em vistoria ao local, o vice-prefeito de Niterói, Axel Grael, disse que a Prefeitura de Niterói estuda uma medida paliativa para amenizar os rastros de destruição deixados pelo mar, mas acredita que nada pode ser feito no momento.

“Vamos avaliar a situação, se tem a possibilidade de fazer alguma coisa emergencial para ajudar nesse processo. Mas acho que não há muito o que fazer para ajudar agora”, adiantou Axel.

Segundo ele, os escombros só vão ser retirados durante as obras de revitalização do calçadão em setembro.

Axel ainda afirmou que a construção do muro de contenção, que será feito em forma de escada, é a primeira etapa para solucionar a questão.

O projeto, orçado em R$ 9.077.430,40 e com prazo de conclusão de oito meses, consiste em criar um muro de contenção com cerca de 1,6 quilômetro de comprimento e de quatro a cinco metros de altura, com pedras do túnel da TransOceânica. Serão feitos cinco degraus com 80 centímetros de altura, para diminuir o impacto das ondas. Previsto para sair do papel em setembro, o vice-prefeito descartou a possibilidade de adiantar o início das intervenções, mesmo diante do estado do calçadão após a ressaca.

“O edital já está pronto e será publicado em maio. Não tem como acelerar mais. Temos que fazer vários estudos antes. Não dá para começar sem as sondagens, sem um estudo de modelagem das ondas e correntes. Então, justamente por conta dessas etapas, a obra segura só vai ser iniciada em setembro”, declarou Axel.

As obras de revitalização do calçadão de Piratininga estão previstos para inicia no mês de setembro André Redlich

Segundo o vice-prefeito, a segunda etapa das obras é fazer um recife artificial, também utilizando as pedras do túnel. De acordo com ele, essa pode ser a solução ideal, já que vai permitir diminuir ainda mais a força das ondas e reduzir o efeito da ressaca no calçadão.

Destruição – Desde a década de 1990, a Praia de Piratininga sofre os efeitos da ressaca do mar e o problema já é considerado crônico. Parte da orla foi arrancada em 1996, deixando o calçadão quebrado. Três anos depois, em 1999, outra agitação do mar deixou rastros de destruição na praia e a água chegou a invadir a pista.

Cerca de 12 anos mais tarde, em 2008, o calçadão passou por um processo de recuperação, no qual foram investidos, pelo menos, R$ 1,5 milhão. No entanto, mesmo com esforços, em 2011 outra ressaca gerou devastação em Piratininga.

Causas – Na manhã desta quinta-feira, banhistas não puderam aproveitar a Praia de Itacoatiara, que tinha bandeiras vermelhas em toda a sua extensão.

A explicação para a destruição deixada pela ressaca, segundo a Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN) da Marinha do Brasil, são as ondas provenientes do sul e do sudeste, que podem chegar até 3,5 metros de altura. A maior agitação no mar é prevista para esta sexta-feira (29).

Fonte: Site do Jornal O Fluminense

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